Vogais
(ou: o amor que a tudo supera tem realmente que ser o amor)

Empalidecida, taciturna, nua e rubra
é tua e minha, a lua, cuja sina na caminhada noturna
cria a agonia que não pia e nem mia,
agonia incessante, montante crepitante, sê permanente fonte
nesse front que em frente segue sempre
nem que diferente lente use, vê.
Sempre ri percebi, não observei, quando me distraí,
se em si sorri, pedi e nem liguei se agradeci
ou dei, não pensei e tapei o que vi,
distraí e ainda distraio com um copo de vinho ou mesmo
com um tecido de linho que quando ao sopro do vento,
cobre o corpo todo não deixando um só ponto descoberto, carrasco,
pois o corpo nu, meu e seu, se uniu, teceu e se perdeu,
tocou mas não escutou, nem sentiu, esqueceu que viu,
ninguém lembrou pois concentrou pouco ou não olhou
e por isso pereceu: “cotidianou”,
assim como o que brilhou e brincou,
hoje empalideceu.


 

05/03

Histórico:

 

Participante - e vencedor - de um concurso literário. A ideia é caminhar pelo título. Ambos.

 

RS