Vida tua
(ou: às vezes é melhor conter um impulso para se satisfazer mais tarde.)

Atravesso as horas,
madrugadas e tardes,
que antes eram metade do caminho,
agora são curtos momentos
onde meu coração fala por mim
e surpreendo a mim mesmo
com palavras e sentimentos.
Percebi que por muito tempo
esqueci coisas importante, como
não começar pelo meio,
simples troca de olhares,
olhares que permeiam a noite,
sorrisos contidos,
desejos indiretos
e beijos de despedida
(onde ambos os lábios se procuram).
Lembrei que a sutileza é linda,
beleza nascida da dúvida,
hesitação que invade a mente
remetendo-nos a memórias ancestrais,
cercar a presa, instintos,
querer toques, cheiros,
esquecer pensamentos,
corpos, atos,
e ainda assim apenas cercar.
E essa disputa eterna,
entre ancestrais - desejos
e sociedade - polidez
é que cria essa aura de hesitação.
Ir com calma ainda é ir,
sem pressa, nervosismo,
nem emoções avassaladoras,
que fazem juras de amor aparentar
verdadeiros ataques de loucura.
Nada é eterno nem tão efêmero
que não mereça um segundo
para fazer com que as palavras
proferidas pelo coração
tornem – se mãos,
que percorram seu corpo
e toquem sua alma.


 

10/03

Histórico:

 

O romance como sentimento, as palavras como expressão.

 

RS